Trabalhadores iniciam greve no canteiro de obras do Cenpes

11 fev

Movimento busca melhores condições de trabalho e salários isonômicos

No último dia 9, entraram em greve os trabalhadores do Consórcio Novo Cenpes – CNC (que integra as empresas Schahin Engenharia, OAS, Construbase, Construcap e Carioca Engenharia), um dos responsáveis pela obra de expansão do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Miguez, da Petrobras. Os funcionários, ligados ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Sitraicp), justificam a paralisação das atividades nas más condições de trabalho e na falta de isonomia salarial dentro do canteiro. De acordo com Romildo Vieira Alves, diretor do Sitraicp, um dos principais problemas tem sido a falta de água, tanto de beber, quanto para a higiene pessoal dos operários: “Os trabalhadores enfrentam uma jornada que, às vezes, leva 12 horas por dia e, na hora de ir pra casa, não podem tomar banho porque acabou a água”, disse Romildo, acrescentado ainda a falta de reposição do líquido nos bebedouros da obra. A alimentação servida no refeitório do canteiro de obras também causa indignação entre os operários: “É arroz e feijão sem tempero. Frango que vem congelado e duro ainda para o prato…”, afirma Romildo. Outro diretor do sindicato, Izaías Mello, aponta as diferenças salariais entre trabalhadores que exercem a mesma função como mais um fator de transtorno para a categoria: “Aqui nós temos uma verdadeira ‘salada mista’ de salários. Tem montador de andaime ganhando R$ 1.350 e outro ganhando R$ 1.700, por exemplo”, explicou. De acordo com Izaías, o movimento de paralisação deve continuar até que as reivindicações sejam atendidas. Uma nova assembleia dos operários acontece às 7h desta quinta-feira (dia 11) e deve ser promovida uma passeata pelo campus para chamar a atenção dos responsáveis pela obra: “Estamos fazendo uma obra importante como esta, que vai contribuir para o progresso do país, mas o trabalhador está sendo tratado com desdém”, disse, acrescentando que é grande a adesão à greve no canteiro. Segundo Izaías, também é bastante possível que os funcionários vinculados ao Consórcio CITI (formado pelas empresas Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Mendes Júnior), outro envolvido na expansão do Cenpes, se juntem ao movimento grevista neste dia 11.

Versão da empresa

Gerente-geral do Consórcio Novo Cenpes, o engenheiro Antônio Passos se disse surpreso com a greve, justamente na véspera da primeira reunião marcada (neste dia 10) para a negociação da Convenção Anual Coletiva de Trabalho entre todos os trabalhadores do estado e os representantes das indústrias do setor (o Sinduscon-Rio). Na avaliação do Sinduscon transmitida pelo engenheiro, por se tratar a expansão do Cenpes de uma obra de grande visibilidade, a greve seria uma forma de se usar os operários do local como massa de manobra para pressionar antecipadamente as entidades patronais. De acordo com o gerente-geral, as argumentações específicas do sindicato não se sustentam. Antônio Passos afirma que mesmo quando sabe que haverá problemas de abastecimento, tem comprado o serviço de caminhões-pipa até com preços muito acima da tabela para não deixar faltar água no canteiro: “E tenho um estoque imenso aqui de isotônicos”, disse. As acusações à alimentação também são rebatidas pelo gerente-geral. Antônio Passos explica que existem verificações de surpresa no refeitório, cujos resultados nunca foram negativos. Afirma que o próprio sindicato já fez elogios às refeições servidas no local e diz só se alimentar no refeitório do canteiro, que tem cardápio único para gerentes e operários. “A comida é num nível muito bom”. Antônio Passos, por último, esclarece que a diferenciação salarial realmente existe. “É uma obra cosmopolita, com empresas de todos os estados do país. Elas têm programas de produtividade que geram esses diferentes níveis de salário”, afirmou. “Nós buscamos, até junto ao sindicato, nivelar por cima, mas tenho pouca ingerência nessa parte, que é prerrogativa de cada empresa. Mas o piso tem que ser obedecido sempre”, observou.

Adufrj-SSind demonstra apoio ao movimento

O presidente da Adufrj-SSind, Luis Acosta, marcou presença durante a manifestação dos operários, na manhã deste dia 10, e estendeu a solidariedade da entidade às reivindicações expostas. Acosta também comparecerá na assembleia deste dia 11, às 7h, quando serão decididos os rumos da greve. A Adufrj-SSind exorta aos professores para acompanharem ativamente este movimento grevista, já que entende ser inadmissível que as obras no campus da UFRJ, assim como em qualquer outro local, sejam feitas com menosprezo aos mais elementares direitos dos trabalhadores, como são os direitos à água (ainda mais na atual onda de calor) e à alimentação.

Comunicação da Adufrj-SSind.

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3 Respostas to “Trabalhadores iniciam greve no canteiro de obras do Cenpes”

  1. joao 13 de fevereiro de 2010 às 12:03 pm #

    tem botar pra f…… com esse tal de passos esse traste e do tipo maquiavelico nas palavras quem e troxa s ilude ele tem o dom d manipulaçao consegue enganar o piao com as palavras d agradecimento dizendo sempre q o piao tem raçao em tudo mais no fundo so quer mesmo a produçao e a verba pra onde vai pra sua conta bancaria seu safado quinta feira quero ver s nao ceder ai sim a metafora q piao e a imagem do cao vai ser fato verdadeiro pra cima deles piaozada tamo junto

  2. Valdecy Alves 16 de fevereiro de 2010 às 1:22 pm #

    Meus parabéns pelo blog e não deixe de ler matéria sobre: POR QUE NINGUÉM MAIS QUER SER PROFESSOR? Basta acessar meu blog, clicando em:
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  3. Gil 30 de abril de 2010 às 11:27 pm #

    Eu acredito, que niguem gostaria de ir ao banheiro fazer sua nessecidade com alguém
    controlando o tempo, nós temos que acreditar
    em o minimo de respeito, quando se refere ao
    trato ao trabalhador que constrói o nosso país,
    sem falar, quando ele entrega o empreendimento é
    proíbido de adentra ao local que ele ajudou á constuir, só apenas espero se realmente ha justiça do trabalho em nosso país, mostre sua cara, com fiscalizaçóes pesadas em certos locais que trabalhadores muitas vezes massacrados por sindicatos que se omitem, figem que estão ao lado dos operários, mais só se mostram quando estão encurados pela classe operária.

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